Mauro Ferreira - Obra e canto de Céu crescem em show azeitado
By urbanjungle on Oct 14, 2009 | In Ceu
Fonte: Notas Musicais

Resenha de Show
Vagarosa
Circo Voador (RJ)
10 de outubro de 2009
Cotação: * * * *
Lançado em julho de 2009, o segundo álbum de Céu, Vagarosa, é bom disco em que a sonoridade e a produção sobressaem mais do que as músicas e a voz da cantora paulista. No show, cuja turnê nacional chegou ao Rio de Janeiro já na madrugada deste sábado, 10 de outubro, o canto e a obra autoral de Céu crescem e aparecem com mais nitidez. A estreia carioca foi especialmente feliz. O público estava receptivo - com boa energia detectada já no coro forte e espontâneo que encorpou um dos melhores números iniciais, Malemolência - e Céu cumpriu a alta expectativa. O show já começou bem - com músicas como Espaçonave e Comadi, do CD novo - mas foi ficando cada vez melhor. Antenada, a banda turbinou Cangote com efeitos de dub e preparou a cama para que Céu deitasse e rolasse no primeiro grande momento da noite, Visgo de Jaca, belo (e até então esquecido) samba de Rildo Hora e Sérgio Cabral. Lançado em disco por Martinho da Vila, o samba foi gravado por Céu somente para o EP, Cangote, que precedeu o lançamento do CD Vagarosa. É um grande achado do baú que confirma o faro de Céu. E permite que apareça a beleza de sua voz.
Sem o aparato da produção do disco Vagarosa, capitaneada por Beto Villares (na companhia de Gustavo Lenza, Gui Amabis e da própria Céu), a cantora se mostra segura no palco. O trio formado com Thalma de Freitas e com Anelis Assumpção em Bubuia foi especialmente envolvente e valorizou a estreia carioca da turnê patrocinada pelo projeto Natural Musical (no fim, as parceiras se reuniram num segundo belo número em trio, Rainha, que roçou a atmosfera de sedução de Bubuia). Já Ponteiro foi realçado pelo toque do acordeom de Guilherme Ribeiro. O show também fez crescer 10 Contados, música extraída do repertório do primeiro disco de Céu, editado em 2005. Já o som viajante de Cordão da Insônia esteve em sintonia com a atmosfera dub de Sonâmbulo. E, nessa praia do reggae, coube até um tema do universo do jazz, Its Take Two to Tango, outra bela sacada do roteiro. Moderna, Céu não chega a ser uma grande compositora, mas está evoluindo e se transformando - com velocidade que contradiz o título de seu segundo álbum - numa das mais perfeitas traduções da música brasileira cosmopolita dos anos 2000. É para ouvidos antenados!!
Por Mauro Ferreira
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