Guizado - Entrevista no Yahoo!
By urbanjungle on Jan 14, 2009 | In Guizado
Fonte: Yahoo! Notícias

Silvio Luz/Especial para BR Press
O CD Punx, lançado em junho do ano passado, ainda deixa um rastro de sucesso e surpresa no cenário musical de Sampa. O responsável pelo álbum é o trompetista paulistano Gui Mendonça, mais conhecido como Guizado, que usa distorções, ruídos e um trompete ensandecido para levar o ouvinte a ambientes inusitados.
Com 11 faixas, Punx saiu pelos selos Urban Jungle Records e Diginóis e foi eleito o melhor álbum brasileiro pelo Trama Virtual, site de música que apresenta novidades da cena independente atual. A votação foi realizada com a ajuda de jornalistas. No dia 20/01, às 21h, Guizado se apresenta no Sesc Pompéia, com entrada gratuita.
Com sintetizadores sempre presentes, Gui Medonça parece brincar com o trompete e deixar zonzo (nome da primeira faixa do álbum) aquele que, por acaso, tenha sido surpreendido com a potência e novidade de seu som. Seis músicas do disco podem ser ouvidas na página do músico no MySpace.
Ambientes
O som do Guizado é baseado nas sonoridades de Sampa e mistura com maestria as imagens e texturas da metrópole: o cinzento e o colorido, o silencioso e o barulhento, as luzes e a escuridão, as pessoas e o vazio.
Na faixa Maya, assim como em todo o disco, há um convite para percorrer e inventar lugares particulares e universais. A música poderia ser ilustrada em um videoclipe, por exemplo, com uma rua deserta de Sampa durante uma madrugada envolta na penumbra.
Por outro lado, ouvir Vermelho é como andar em uma avenida movimentada, cheia de encontros e desencontros, passadas largas e passos lentos. Uma sensação de diferentes caminhos na paulicéia desvairada e incontrolável, e bela por isso mesmo.
Na entrevista abaixo, Gui Mendonça fala sobre Punx, autenticidade na música e a vontade de ser o mais universal possível. Confira:
Follow up:
Miles Davis é uma grande referência para o seu trabalho? Você se incomoda com comparações e rótulos?
Gui Mendonça - Sim, no início a influência era direta e aprendi muito com sua concepção e seu fraseado. Isso contribuiu muito para a minha formação como músico. No entanto, no meu trabalho com o Guizado a influência pode ser entendida mais no sentido da liberdade e da sua visão transgressora. Prefiro não ser comparado com um jazzista, pois meu trabalho não é exatamente jazz. Tenho várias outras influências. Como Miles, sou aberto a vários outros caminhos.
Quais as principais referências musicais que podem ser identificadas claramente na sua produção?
Gui Mendonça - A produção eletrônica atual como Prefuse 73 (apelido do músico americano Guillermo Scott Herren), Daedelus, o trabalho lo-fi de Money Mark, tecladista do Beastie Boys, improvisações do jazz e as paredes sonoras do rock.
Sua música é regionalista ou segmentada para um público mais urbano? Ou você não se preocupa com isso?
Gui Mendonça - Não, a minha vontade é a música que produzo seja a mais universal possível, sem barreiras.
É difícil se destacar e mostrar algo original diante de todo o excesso de informação, inclusive musical, com o qual convivemos hoje?
Gui Mendonça - Na minha opinião, o que é feito com personalidade e autenticidade aliada com a qualidade musical pode ter seu espaço garantido no panorama atual ao passar do tempo.
Para que ambientes sua música transporta o ouvinte? Qual a importância dos sintetizadores e utilização de ruídos nessa ´viagem´?
Gui Mendonça - Eu não tenho muito controle sobre isso, porém nas minhas músicas falo das experiências pessoais, de uma pessoa que viveu e cresceu numa cidade grande. Os sintetizadores vêm de uma memória musical de quando ouvia o som dos anos 70 e 80, como Joy Division, David Bowie e Kraftwerk. Os ruídos são elementos mais atuais.
A receptividade do álbum de estréia (Punx) tem sido boa, inclusive com 4 estrelas na revista Rolling Stone. Como você se posiciona diante dessa recente notoriedade?
Gui Mendonça - Eu me sinto muito feliz, pois me preparei e me dediquei muito durante um longo período para realizar este trabalho.
De onde surgiu o nome para o álbum? E o nome Guizado?
Gui Mendonça - O nome para o álbum vem da filosofia punk que consiste no "faça você mesmo", pois produzi e corri atrás para o CD ser lançado. O "x" do Punx é por causa do ideal libertário dos anos 60 que vem de "experience", muito usado por Jimmy Hendrix. O nome Guizado vem da referência do meu nome juntamente com uma união com a banda, tipo um personagem.
A divertida e movimentada capa do disco está atrelada às músicas presentes nele?
Gui Mendonça - Sim, refere-se às pessoas que habitam na cidade grande, na cidade de São Paulo. Representa as pessoas que vivem nessa metrópole e que são o maior sinal de alegria, vida e amor.
O disco custa R$ 5 em lojas especializadas e nos shows que você faz. Como consegue oferecer o CD a um preço tão baixo? Qual sua opinião sobre o mercado fonográfico brasileiro e a pirataria?
Gui Mendonça - O disco foi feito em SMD (disco semi-metálico), o que proporciona um valor mais baixo para o público. O mercado fonográfico não existe mais e as grandes corporações estão falidas. Por isso que a pirataria entrou tomando conta do mercado. Hoje, para você ter acesso à música é muito mais simples e rápido do que no passado, pois existe a internet. Depois dessa tecnologia, o mercado se transformou.
E os shows para este ano? Já tem agenda fechada para sair nas andanças pelo País, apresentando o disco Punx?
Gui Mendonça - Tenho um show marcado para o dia 20/01, no Sesc Pompéia, às 21h, aqui em São Paulo. Depois vou sair com uma pequena turnê pelas capitais.
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