Crítica do Show - Curumin no Cinemathèque
By urbanjungle on Jan 7, 2009 | In Curumin
Fonte: URBe

Por Bruno Natal
Que diferen?a dois anos podem fazer na carreira de um sujeito. Pode ser pouco, porém nesse meio tempo o trabalho do Curumin deu um belo salto.
Numa das últimas vezes que esteve por aqui, no HPP de 2007, ainda a bordo do seu regular e único disco “Achados e perdidos”, o paulistano era um ex-baterista em seu primeiro trabalho como homem de frente. As referências samba-rock eram escancaradas demais e, apesar de bem feito, faltava personalidade.
Veio 2008 e Curumin lan?ou um dos melhores discos do ano. Ao filtrar melhor suas influências, “Japan pop show” acerta onde errou na estréia. O que antes era uma cole??o de referências bem marcadas ? seja samba-rock, afrobeat, dub ? misturou-se com classe, come?ando a formar uma sonoridade própria, resultado da colis?o disso tudo.
Faltava o bom e velho teste do palco. Disco bom é uma coisa, agora disco bom que melhora ao vivo é oooutro papo. Coisa que pouca gente dá conta de fazer. Curumin, novamente, se renovou também nesse sentido.
Follow up:
Ao reduzir sua banda ao mínimo ? agora um trio, formado por ele na bateria/vocal/MPC, um baixista/MPC e mais uma pessoa operando somente uma MPC ? Curumin transformou também o seu som.
Hoje em dia, quando artista nenhum pode depender da venda de discos para sobreviver, o sujeito tem que fazer shows. Muitos shows. Para conseguir fazer muitos shows num país grande como o Brasil, ajuda muito ter uma banda enxuta.
Além das praticidades econ?micas, o novo formato revela também outras facetas do trabalho do Curumin, como a queda para o lado eletr?nico, utilizado de uma maneira diferenciada, aproximando seu trabalho do parceiro Lucas Santtana (artistas que sempre colaboram entre si).
Dessa maneira, enquanto a parte rítmica (baixo e bateria) surgem ao vivo, todo os outros elementos das can??es (viol?es, teclados, vocais de apoio, efeitos, etc) se fazem presente via recortes e colagens. Muito além de simplesmente soltar bases pré-gravadas, o que se ouve é uma reinterpreta??o do que foi gravado para o disco.
“Vem menina” emenda em “Turn your lights down low” (Bob Marley), uma vers?o de “Como é grande o meu amor por você” (Roberto Carlos) quase traz o Cinematéque abaixo, “Japanpopshow” vem inna dancehall style e “Kyoto” vira um hip hop pesad?o.
Sem saber o quanto o assunto funk divide opini?es no Rio, Curumin apostou que a pegada Miami de “Caixa preta” iria pegar no Rio e achou gra?a quando o público riu do seu sotaque (”vocês tiram onda de tudo”, disse).
? verdade, carioca tira onda de tudo, frequentemente até do que n?o deve. S?o resquícios de quando isso aqui tinha mais relev?ncia cultural e o sotaque local (n?o apenas o falado, mas o modo de vida) dominava o cenário.
Aos poucos vai se aprendendo a receber o que vem de fora um pouco melhor, para absorver, reinterpretar e ? arrá! ? dominar a cena novamente (delírios de grandeza…).
A favor da carioquice, enquanto Jorge Ben pode cantar sobre o Mengo e ser aplaudido em qualquer lugar do Brasil, quando Curumin puxou um Corinthians foi logo vaiado. Os risos voltaram ao som de “Magrela Fever” e “Compacto”, música que é o hit que “Vem menina” prometia ser.
Com apenas dois discos, Curumin vai se transformando em Cacique.
E foi só o primeiro show de 2009. Esse ano promete.
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